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anfiteatro bento prado junior, das 9h às 12h

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Daniella Lopes Dias Ignácio Rodrigues
Saberes necessários à prática de revisão de textos

Saber revisar textos é compreender não só os processos de textualização, mas também saber tornar os textos adequados à situação de interação social na qual circulam. Para tanto, os saberes necessários à prática de revisão de textos não podem ser adquiridos a partir somente da apreensão de conteúdos da Linguística Textual ou dos aspectos da genericidade dos textos. Mais que ensinar nos cursos de formação de revisores “o que olhar nos textos”, é preciso refletir sobre “como olhar os textos”. Tomando como base os pressupostos teóricos de Schneuwly e Dolz (2004) relativamente às capacidades de linguagem, objetiva-se discutir as capacidades de ação necessárias à prática de revisão de textos.

Eliane Mourão
O alcance da revisão de textos: reflexões sobre o papel da dúvida na atividade do revisor

Como avaliar um trabalho de revisão de texto? Que parâmetros devem subsidiar o avaliador? É possível operar com critérios fixos? Essas indagações nos nortearam na elaboração de prova aberta que em 2016 compôs a seleção de funcionário técnico-administrativo para o cargo de Revisor na UFOP. Em nossa apresentação, examinaremos o texto que usamos nessa prova sob os pontos de vista da gramática, da interlocução, da informação, entre outros. Propondo discutir as possibilidades de intervenção do revisor, daremos relevo especial ao papel da dúvida na atividade desse profissional.

Luiz André Neves de Brito
Letramento acadêmico: entre o “fazer para” e o “fazer com”  da atividade escrita

Partindo do espaço fronteiriço instituído pela relação dos estudos sobre Letramento Acadêmico desenvolvidos em uma perspectiva sociocultural e as abordagens linguístico-discursivas de fatos da linguagem, em especial, daqueles ligados à heterogeneidade enunciativa que fazem explodir a transparência da linguagem e a unidade do sujeito, viso mostrar como compreendo a atividade de escrita na relação entre o “fazer para”, engendrado pelas condições imediatas de produção (a novidade do acontecimento), e o “fazer com”, engendrado pelas condições amplas de produção (o já-experimentado do acontecimento). Para tanto, mostrarei alguns dados extraídos de produções textuais realizadas por escreventes recém-ingressos na universidade. Os dados me permitem mostrar como a escrita é uma atividade discursiva regida tanto por um fazer para sujeitos presumidos imediatos quanto por um fazer com sujeitos presumidos em ausência. Por fim, em consonância com a temática do evento, pretendo conduzir a discussão para uma reflexão sobre os processos de revisão e de reescrita que atravessam as práticas pedagógicas do ensino de produção de textos.

Maíra Avelar Miranda
Retextualização e reescrita: desafios e limites no trabalho do revisor de textos

O trabalho do revisor de textos consiste, por vezes, num trabalho “invisível”: quanto mais preservada a escrita e o sentido originais, maior é o êxito do trabalho do profissional do texto. Entretanto, há situações em que o texto a ser revisado apresenta problemas graves, que abarcam desde questões macrotextuais, como problemas de adequação ao gênero textual e à situação comunicativa, até questões microtextuais, como problemas de coesão e coerência e de construção sintática. Ancorando-nos nas discussões teóricas a respeito dos conceitos de retextualização e de reescrita, pretendemos debater os desafios e limites que se apresentam aos revisores de texto quando confrontados com problemas graves de textualidade.

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Ana Elisa Ribeiro
Processos de edição e circulação em mídias digitais

É sabido que as tecnologias da informação e da comunicação alteraram os processos de edição e revisão de textos, transformando os fluxos editoriais, embora nem sempre seus produtos. Em alguns casos, no entanto, a redação, a preparação e a revisão ganham novas características e demandam novos saberes, uma vez que se deslocam e se reposicionam nos fluxos editoriais. Nossa proposta é focalizar a redação e a edição de textos produzidos para o que vem sendo chamado de “marketing digital”, especialidade que reintroduz profissionais redatores, preparadores e revisores de textos no mundo do trabalho freelancer, sob demandas ainda em consolidação. Discutiremos aspectos de formação para esse trabalho, assim como as próprias dinâmicas de atuação e suas consequências.

José de Souza Muniz Júnior
Os editadores e o problema da diversidade

Confrontaremos dois textos afastados no espaço-tempo, mas unidos pelo mote: “A liberdade de imprensa”, originalmente concebido por George Orwell como prefácio de A revolução dos bichos (1945), e o miniensaio de Glauco Mattoso “Editadura: exclusão versus opressão editorial”, publicado em 2004. Em ambos, critica-se a autocensura dos editores nos regimes democráticos. Buscaremos ler esses textos de modo cruzado e à luz dos atuais debates, orquestrados pela UNESCO, sobre a garantia da diversidade cultural frente aos imperativos do mercado. O objetivo é discutir o papel do editor como agenciador de vozes autorais e como gestor da vida dos textos em sociedade.

Rafael Mozeto
Produção de periódicos científicos em uma editora comercial no Brasil

Para tratar da edição de comunicação científica como sócio-proprietário e diretor executivo da Editora Cubo, abordarei a trajetória das atividades com publicações científicas iniciada em 1995 em uma editora local, para chegar à fundação, em 2001, com Luciano Panepucci, da Editora Cubo, focada no mercado de publicações técnico-científicas. Produzimos atualmente mais de 40 periódicos científicos espalhados por todo o país, prestando serviços de revisão e tradução, padronização de conteúdo, diagramação com saída em PDF e XML, bem como assessoria para evolução dos periódicos e indexação em bases nacionais e internacionais.

Tiago Fabris Rendelli
A alquimia da editoração: a transformação do original em livro

São inúmeros os processos pelos quais o texto passa até chegar às mãos do leitor. A edição ou a materialização das ideias de autores, transformando-as em livros, é composta por uma cadeia produtiva que envolve diversos profissionais e cujo o editor responsável é a figura que costura esses processos. O objetivo dessa conversa será apresentar os diferentes tratamentos dados ao texto durante etapas editoriais, passando desde a seleção de material (texto original); preparação de texto; revisão profissional e revisão do autor. Além disso, será apresentada a noção de coautoria editorial, na qual o tratamento dado ao original muitas vezes modifica a própria noção de autoria.

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