revisando: relatos e perspectivas

anfiteatro bento prado junior, das 17h às 19h

Nesta sessão, o grupo anfitrião puxa uma conversa sobre a revisão de textos no dia a dia, abrindo espaço para troca de informações, registros e informes do público.

Contaremos com participações superespeciais!

Cícero Oliveira

Há quase 15 anos trabalhando com os mais distintos tipos de demandas (de livros de psicanálise a revistas de moda; de revistas científicas a materiais e catálogos de exposições de arte), cada dia mais percebo que o ato de revisar é uma prática que exige daquele que a desempenha, além de conhecimentos linguísticos, saberes multidisciplinares, sensibilidade, atenção, paciência, disciplina, generosidade, capacidade de gerenciamento de tempo e de rotinas. Todo novo trabalho, porém, recoloca a questão que dá título a esta intervenção: afinal, o que se espera de um revisor? Se é verdade que cada caso é um caso, há, no entanto, uma resposta possível: o que se espera de um revisor é que ele revise textos. Apesar de tautológica, tal afirmação comporta todo o desafio que o trato com produções escritas implica, já que a revisão (e o próprio revisor) precisa necessariamente se reinventar e reinventar seus procedimentos a cada novo texto, a cada nova leitura. Minha proposta, então, é, a partir de minha experiência com as mais variadas demandas, refletir sobre as diferentes posturas que o ofício de revisor implica – sobretudo nos dias atuais.

Douglas Pino

A proposta é apresentar o trabalho do revisor de textos na Educação a Distância da UFSCar. Trata-se de um profissional que atua não só na Equipe de Editoração, mas também nas Equipes Audiovisual, Acessibilidade, Moodle e TI. Sua função é revisar livros impressos, e-books, roteiros de videoaulas, documentos de game design, textos produzidos para LMS, audiodescrições, legendas etc. Vamos mostrar o impacto do seu trabalho na construção de recursos educacionais pautados na utilização de novas tecnologias digitais de informação e comunicação, em que a produção escrita é base de todo o processo.

Helena Meidani

Copidesque: uma experiência out of the beaten track. Somos um núcleo de pessoas* que estudam e pensam juntas a língua portuguesa, seus usos e as possíveis implicações desses usos e, como empresa, acumulamos uma experiência de quase dezessete anos. No Fórum, discutiremos o próprio trato com a língua, formas de conversar com clientes e de estipular prazos e custos. Trabalhando há tanto tempo num mercado bastante sensível a oscilações conjunturais, acreditamos que é sempre enriquecedor compartilhar saberes e dúvidas. Esse Fórum é uma oportunidade ímpar de repensar nosso trabalho, desta vez, da perspectiva de pessoas que se preparam expressamente para fazer copidesque, ao contrário da grande maior parte de nós, que aprendeu o ofício trabalhando. [*Confraria de Textos]

Josafá Crisóstomo

Um dos últimos revisores a trabalhar em um jornal na cidade de São Paulo – o Diário do Comércio, pertencente à Associação Comercial de São Paulo –, lembro que, quando me contrataram, disseram que eu faria a revisão dos anúncios elaborados por uma equipe de editoração dentro do próprio jornal. Em geral, tratava-se de anúncios pequenos de associados que tinham o diário como veículo de propaganda de seus negócios. No entanto, a experiência não se resumiu a isso, muito pelo contrário, o que se evidenciou foi que a demanda pela revisão de textos na empresa era uma realidade muito maior do que os gestores do jornal e também de outros departamentos da ACSP podiam prever, o que tornava a dinâmica do meu trabalho ali a hipérbole de um desafio também ideológico.

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